quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

FALECEU O ANTIGO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE GÓIS


Faleceu hoje em Coimbra o antigo presidente da Câmara Municipal de Góis, José Girão Vitorino, com 62 anos de idade, vítima de doença prolongada.
José Girão Vitorino, foi Presidente da Câmara Municipal de Góis no período 2001-2009. Nasceu a 1 de Novembro de 1947, em Formoselha, Montemor-O-Novo, e era Filho de Joaquim Carlos Vitorino e de Cristina Pereira Girão.
Casado com Maria Elisa Guerra Santos, natural de Vila Nova do Foz Côa, exerceu a sua actividade profissional na Companhia Eléctrica da Beiras / EDP, em Lousã, Ourém e Góis.
Foi também presidente da Direcção da Casa do Povo de Góis, tendo participado em elencos directivos da Associação Educativa e Recreativa de Góis, Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Góis e Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Góis. Para além disso foi eleito vereador em vários mandatos da Câmara Municipal de Góis, alguns deles em permanência.

O seu corpo repousa em câmara ardente no quartel dos Bombeiros Voluntários de Góis, o seu funeral realiza-se amanhã, sexta-feira [29 de Janeiro], pelas 15h, para o cemitério de Góis.
Corterredor aproveita para agradecer publicamente tudo o que fez por esta terra e apresentar as suas sentidas condolências à família enlutada.


in
http://www.rcarganil.com

tags: camara gois, gois

publicado por penedo às 19:03

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O BODO NO CADAFAZ

O Bodo é uma festa popular e religiosa, da qual não se sabe quando é que começou, somente que é uma cerimónia de vários séculos e que tem passado de geração em geração, até aos nossos dias. Começou a ser feito devido a uma epidemia, em que muita gente morria. Os ancestrais prometeram que se a epidemia acaba-se fariam um Bodo em honra do Mártir São Sebastião todos os anos oferecendo, castanhas, pão e vinho.
O Bodo, é uma festa muito importante para a freguesia, porque é feito com a ajuda de todas as povoações da freguesia. Todas as aldeias têm um mordomo, excepto no Cadafaz e Cabreira em que são dois. São nomeados no dia do Bodo para o ano seguinte, assim como o Juiz, que tem a responsabilidade de ver se tudo está a correr bem, de comprar o pão, o vinho e no dia do Bodo de orientar as coisas.
Os mordomos têm o dever de angariar as castanhas, o vinho ou dinheiro, antigamente era também o milho, em sua povoação. Depois são entregues aos mordomos do Cadafaz para fazerem secar as castanhas.
A preparação do Bodo começa com algum tempo de antecedência. Depois de recolher as castanhas, elas são colocadas num caniço com rede para secarem, por baixo é feito uma fogueira, de manhã e à noite, durante pelo menos 15 dias seguidos, de vez em quando mexe-se as castanhas para não ficarem queimadas e pretas. Quando as castanhas estão secas são colocadas num cesto e são pisadas com as botas. Depois da casca retirada são escolhidas.
Na véspera do dia do bodo são cozidas. Antigamente as castanhas eram cozidas em casas das pessoas que se ofereciam ou então os mordomos pediam se as podiam cozer. Eram distribuídas em quartas.
Na véspera, à noite, também chega o pão. Antigamente quando ele chegava atiravam foguetes.
O dia do Bodo era um dia de festa e de convívio para toda a freguesia, que se juntava no Cadafaz para receberem o Bodo. Juntavam-se também outras pessoas que não pertenciam á freguesia mas que vinham de outras localidades vizinhas.
Há mais de 50 anos atrás, as moças novas iam a pé ao Barreiro (Vila Nova do Ceira) comprar laranjas, para venderem nesse dia a 20 tostões cada, também era vendido café, em chávenas de chá a 1 escudo cada, á noite fazia-se um baile.
Desde 2002, o Cadafaz tem uma casa do bodo, onde é efectuado todo o ritual. Antigamente era feito em casa dos mordomos
Hoje em dia, em virtude das localidades estarem praticamente desertas durante a semana, a festa do Bodo passou a ser feita no primeiro domingo a seguir ao dia 20, o que traz mais pessoas nesse dia.

Antes da celebração da missa, o Sr. Padre vai benzer o pão, as castanhas e o vinho. A seguir à missa, é feita a tradicional procissão com o Santo Mártir São Sebastião. Só depois é que é feito a entrega do Bodo, começando a ser entregue uma coisa de cada vez, pelos mordomos e por ajudantes, às pessoas que estão a assistir. As que não podem assistir, é lhes entregue mais tarde, em casa delas.
No ano em que foi inaugurado a Casa do Bodo, o Juiz desse ano, que era o Casimiro Vicente, ofereceu, febras e sardinhas às pessoas presentes. Desde essa altura tem sido habitual o Juiz também tratar da merenda, o que faz haver mais um motivo de convívio para as pessoas da freguesia e não só.
Para este ano de 2010, o Bodo é entregue dia 24, o Juiz é o Senhor Armindo Neves. Os Mordomos para o Cadafaz são os Senhores Albertino Vicente e Luciano Domingos.

Assim, no Domingo, decorreu a entrega do Bodo da parte de tarde, por indisponibilidade do Sr. Padre Carlos, que não podia celebrar a missa da parte da manhã. O tempo ajudou, não choveu e também não estava muito frio o que fez trazer alguns visitantes.
Perto das 15 horas, antes da celebração da missa, foi a bênção do Bodo, no final da missa decorreu a procissão.
Eu, ainda tenho o meu pão do ano anterior, pois a minha sogra guarda um pão para cada filho, noras e netos e acreditem, após um ano o pão não tem bolor.
Este texto foi quase todo retirado do espectacular blog do Cadafaz, http://cadafaz-gois.blogspot.com não deixe de visitar este blog. elaborado pela minha cunhada Paula Santa Cruz.

Deixo aqui algumas fotos para melhor explicar esta tradição

Distribuição do pão

O mordomo e o ajudante do Corterredor


Mordomo do Candosa e do Corterredor

Os mordomos e juíz de 2010

Andor da imagem do Martir São Sebastião

A minha cunhada (autora do Blog do Cadafaz) e o meu irmão e o Américo antunes

Os quase 1900 pães

Explicação como se pisam as castanhas

As castanhas no caniço

As belas Castanhas

Os mordomos e o Juíz

domingo, 24 de janeiro de 2010

POEMA "A MANOBRA P’RA LAÇADA"


Convivi com carvoeiros
Na função especializados
Maioria dos Amieiros
P’ras torgas endiabrados


Nem sempre despreocupados
Dependendo do local
Nalguns espaços vigiados
Por vezes corria mal


Nas uchas ou matagal
Torgas eram arrancadas
De forma vertiginal
A seguir carbonizadas

***

Muita cepa era furtada
E se o vento tramava
O fumo denunciava
Local certo da queimada
Gente da Junta avançava

***

POEMA DE: Ernesto Rosa

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010



Vou viajando no tempo
Em cada detalhe de um lindo jardim,
Tristezas ficam no esquecimento
Porque lindas flores sorriem para mim.

A juventude que canta
Linda promessa de novo porvir,
Raios de luz e esperançasuave ternura,
Encantos sem fim.

Botões por todos os lados
Que a primavera faz desabrochar,
Rosas de amor sublimado
Reluzindo ao sol e a luz do luar.

Meninas sonhando com fadas,
Com o príncipe que vai chegar,
Almas tão iluminadas
Sublime expressão do verbo amar.

Lembro-me dos anos dourados.
Romantismo que o vento levou,
Por tanta alegria sou contagiada
Sentindo na alma o perfume do amor.

Para esse vale encantado
Com a pureza de lindas donzelas,
Ofereço meu amor sublimado
Em minha poesia singela.

Eugenia Santa Cruz/2006.

domingo, 10 de janeiro de 2010

PASSAGEM DE ANO 2009

Este fim de Ano eu e a minha família rumámos à nossa bela região. Fomos passar a passagem de a casa do meu mano, João, que fica no Rochel, concelho de Arganil.
Foi um Jantar em famila com muita alegria, convívio, amizade e divertimento à mistura. A noite não estava muito quente, mas com a lareira acesa não deu para notar. Adorei passar junto à lareira, foi reviver um pouco os tempos passados, mas com muito mais conforto.

No sábado a seguir ao Ano Novo, fui para o Corterredor. Quando cheguei, fui surpreendida com uma bela notícia. Os meus cunhados, tinham lá ido passar o Ano Novo, e contaram-me da passagem de Ano Novo na casa do convívio daquela aldeia. Fiquei contente em saber que nas aldeias as pessoas ainda mantêm viva a tradição de conviverem uma com as outras, pois, nos dias de hoje cada vez se torna mais raros estes encontros. No entanto cabe-nos a nós seguir este exemplo e assim muitos encontros no futuro virão.

Então cá vai a história desta noite contada por quem a viveu.
Algumas pessoas da terra e outras residentes em Lisboa, combinaram fazer uma passagem de ano um pouco diferente, e resolveram juntar-se e passarem a noite juntos na casa de convívio.

O jantar foi: Entrada camarão cozido, seguido de um belo cozido à portuguesa acompanhado de um bom vinho, e para sobremesa, as belas iguarias da terra.
A surpresa foi à meia-noite, pois brindaram as pessoas presentes e as que estavam em casa com um belo fogo de artifício acompanhado por champanhe, e as tradicionais passas.

Mas, como sobrou muita carne combinaram fazer um feijoada no sábado, sorte a minha, pois como já lá estava, pode participar neste belo convívio e ajudar a fazer a bela feijoada onde não faltou a broa e o arroz doce (que como sempre estava uma delicia), feito pela Maria Augusta, o bolo rei e animação.
Que bom que foi ver os nossos filhos brincar e jogar ás cartas e matraquilhos, os homens a por a conversa em dia e as mulheres a tratar do jantar e depois todos à lareira. A noite estava muito fria e chuvosa, mas o calor humano foi superior ao frio exterior. Obrigada a todos por estes belos momentos e espero que para o ano possamos combinar com mais antecedência e lançar a ideia para mais pessoas que residem em Lisboa ali possam passar um passagem de Ano diferente e recarregar baterias para mais um ano.

Deixo aqui algumas fotos do jantar de Sábado, pois continuo a espera das fotos da noite de ano Novo, assim, como um vídeo do fogo de artifício para poder partilhar com os visitantes deste blog, aquelas belas imagens.


Entrada ...Camarão... A Feijoada está Quase Pronta....

Toca a Comer....Hum...Está divinal... A Lareira

O Resto do serão foi passado a jogar cartas e Matraquilhos.

"VAMOS CA/ONTAR AS JANEIRAS "


Nota Importante:
O texto abaixo publicado está a concurso na blogagem de Janeiro http://www.aldeiadaminhavida.blogspot.com/. Assim, a todos os que gostaram poderão votar. Além da votação de 28 a 31 de Janeiro, a quantidade e qualidade de comentários também contam para a eleição do Melhor Texto. Não hesite, Comente!

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Foto do Rancho Folclórico de Cortecega

Na sequência da Blogagem de Janeiro no blog-aminhaldeia@sapo.pt, elaborei esta pequena história para contar como se cantava as Janeiras na minha Aldeia. Assim, neste contexto não podia deixar de publicar esta história no meu blog. Espero que gostem.

Janeiras são uma tradição muito antiga que vai passando de geração em geração. Na minha aldeia essa tradição manteve-se até há alguns anos atrás, mas em muitas aldeias de Portugal esta tradição está viva, felizmente!

Bem, vou contar como era no tempo em que vivia na aldeia onde nasci (Cortecega). Existia um grupo folclórico do qual eu fazia parte e por altura dos Reis lá ia-mos nós pedir as Janeiras.
Na noite de Reis, formavam-se dois grupos de pessoas. Um grupo percorria as ruas da aldeia e o outro ia à povoação mais perto (neste caso a Cabreira) indo de casa em casa, cantando e tocando alguns instrumentos, como pandeireta, ferrinhos, tambor, concertina, desejando, assim, um bom ano aos seus vizinhos cantando quadras como estas.

Boas noites, meus senhores
Boas noites vimos dar
Vimos pedir as Janeiras
Se no-las quiserem dar
***
Aqui vimos, aqui vimos
Aqui vimos bem sabeis
Vimos dar as boas festas
E também cantar os Reis

Mas como a porta tarda em abrir-se

Levante-se daí Senhora
Do seu banco de cortiça
Venha-nos dar as janeiras
Ou de carne ou de chouriça
***
Viva lá o Senhor António
Raminho de bem-querer
Traga lá a chave da adega
Venha-nos dar de beber

De uma maneira geral as gentes da casa acediam, e então tinham direito a agradecimento:

As janeiras que nos deram
Deus será o pagador
Queira Deus que para o ano
Nos faça o mesmo favor

Mas também podia acontecer “não haver nada para ninguém”. Então…

Cantemos e recontemos
Tornemos a recontar
Esta barba de farelos
Não tem nada para nos dar

Terminada a canção numa casa, esperava-se que os donos nos dessem as janeiras (castanhas, nozes, maçãs, batatas, carne de porco chouriço, morcela, porque tinha sido altura das “matanças”, etc) . Dinheiro não se dava, mas caso alguém o fizesse era para ajudar a comprar o que faltava paro o almoço de dia de Reis.

No dia de Reis o povo juntava-se no largo da aldeia. Preparava-se a lenha que tinha estado a arder no largo desde a noite de Natal, onde eram colocadas as panelas de ferros onde se cozia a batatas, a carne, as chouriças, dadas na noite anterior. Preparava-se as couves que ainda de noite tínhamos sido (desviadas da horta do vizinho) e em festa todos, bebiam e cantavam. No caso de alguém da terra não ter dado nada aquando do peditório, nós íamos ao galinheiro e (desviava-mos uma galinha), quem pagava as favas era a raposa, pois tinha sido ela que tinha ido a capoeira. A pessoa era convidada para a festa e só tempos mais tarde lhe era dito quem foi à capoeira (era uma rizada).

Era uma confraternização que unia as pessoas e que hoje recordo com saudades. Muitas vezes são tema de conversa quando nos encontramos e revivemos o passado, principalmente no verão, altura de férias.

domingo, 3 de janeiro de 2010

POESIA "SUA FESTA TEM MANTIDO"

Ribeira do Corterredor


Nasci e cresci na Serra


Onde as águas escorrentes


Marcam divisão da terra


Com limites nas vertentes


***

Convivi com suas gentes


D’aquém e d’além serro


Uma maioria de crentes


Na Senhora do Desterro


***

Ao ser feito o desaterro


As Mestras não alertaram


Os Amieiros p’ro erro


Nem a obra embargaram


***

Seu dia não foi esquecido


Fé jamais se apagou


Após o farnel comido


Muita conta se ajustou


***


Ernesto Rosa

domingo, 20 de dezembro de 2009

POEMA

Aldeia das Mestras

A NOVA CAUSOU DESNORTE


V


Nas Mestras ao fundo e a Norte



Era há muito venerada



Senhora da Boa morte



Deixou de ser festejada



A lenda foi praticada



Mas com um pouco de sorte



Creio não foi esborratada



Contudo menosprezada



A nova causou desnorte





Ernesto Rosa

SENTIR A POESIA

Por Adriano Pacheco

Sentir a poesia, é sentir um mundo onde podemos estar próximos do perfeito (ideal) que, de um momento para o outro podemos afastarmo-nos, no mais pequeno deslize. Não vivemos, não caminhamos sozinhos, mas poetizamos sozinhos tal como sentimos o vento de forma solene. Os momentos solenes e poéticos são únicos, raros.

A poesia é a arte de escutar. Ir além da palavra solta e ficar nas sílabas, nos sons, no puro som onde começa a poesia. Chegar aí, é entrar no patamar onde se sente o sussurrar do vento e a erosão mansa do tempo.

Esta experiência humana transportada anos sem fim, aproxima-nos, devagar e às escuras, do horizonte poético mais fundo. Do mais profundo de nós. A seguir temos duas sensibilidades distintas na forma de sentir a poesia. Vejamos:

UM ENTRE TANTOS

***

Sou um, entre tantos

Agarrado neste alvorecer

Labirinto onde me encontro

me enleio e livre me solto

No clarão do amanhecer

***

São sinais de vida e encanto

Num povo que se quer tanto

Paxiano

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O TEMPO NÃO MORRE



Escolhe o teu reino e fica
ao relento
Sobe ao penedo enquanto
navegas
Poisa o olhar no fundo
da ravina
Eleva-te nas ondas do espaço
E observa o tempo de cima

Liberta-te do chão que
te amarra
Num gesto de gratidão
Que o espaço solta, agarra
esquece, ou lembra
O mais belo da solidão

Depois, só o pensamento
viverá contigo
Onde tudo é tão estranho
sem medida nem tamanho
Tempo que não morre, nem...
se liberta vivo

O tempo não morre... não morre
Apenas se consome.

Poema cedido por Paxiano

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

POESIA " DOS CONVIDADOS PRESENÇA"

Hoje começo aqui uma nova etapa neste blogue.

Pois, foi com muito prazer que aceitei publicar aqui alguma poesia escrita por "poetas" desta terra. Pessoas que gostam de escrever aquilo que lhes vai na alma.

Como eu sempre gostei de poesia e também tento escrever qualquer coisa parecida com "poesia" desde pequena, é ainda com maior prazer que passo a partir de hoje a publicar toda a poesia, historias etc...que me queiram mandar e que de uma maneira ou de outra tenham a ver com gentes da nossa terra.


A poesia é um mundo de emoções que fervilha no interior de cada um de nós. Deixar despertar essas emoções, partilha-las com os outros e viver com eles esse mundo de fantasias.

Ler e escrever poesia é uma forma diferente de comunicar, transmitir o que vai dentro da nossa alma e ver/percepcionar o mundo envolvente.

Este poema foi escrito pelo Sr Ernesto Rosa, é um dos vários que o mesmo escreveu sobre o livro " Rasto dos Barrões" de Adriano Pacheco.

I

DOS CONVIDADOS PRESENÇA


Após síntese explana

Pelo senhor Engenheiro

Foi a minha alicerçada

Mote saiu do tinteiro


Havia que ler primeiro

Para de pois escrever

Desmatado o carreiro

Prevendo trilho manter


Não esqueci meu dever

Ao autor pedir licença

Respondeu ser um prazer

Acaso com pouca crença

Dos convidados em presença


Poema de Ernesto Rosa

sábado, 31 de outubro de 2009

"A CASTANHA"

Foto das castanhas nos ouriços
Foto de um Magusto de Castanas
"Retirada do blogue da Aigra Velha "

Sendo esta aldeia conhecida pela boa castanha, todos os habitantes têm os seus castanheiros. Agora é o tempo deste belo e saboroso fruto. Há muitas maneiras de o cozinhar: assadas, cozidas, secas, piladas....

Primeiro, as pessoas vão apanhá-las ainda verdes, espalham-nas no chão do telheiro ou sótão para secarem um pouco, depois são esfoladas, tira-se um bocadinho da casca e cozem-se nas panelas só com água. As que têm casca cozem-se assim simples. Em estando cozidas ou assadas a casca separa-se bem.


Outras são secas nos caniços, são as chamadas castanhas piladas. Pisam-nas com os tamancos, com os pés, em cestos para sair a cascas. A casca sai toda! As castanhas ficavam limpinhas que até pareciam plumas, muito branquinhas. E com essas é que se fazem muitos pratos.

Cozidas só com água e no dia seguinte estão docinhas, é só comer, chamadas as castanhas de caldo. Outras cozem-se com arroz, outras faz-se sopa com feijão. Fazem-se de muita maneira e com muita qualidade. Tem castanhas ao longo do ano todo, porque são guardadas. Só vêem nesta época. Umas são vendidas, pois têm procura e cada vez mais é um produto muito raro. Outras são guardadas. Toda a gente nesta terra tinha muita castanha que se tornava governo para todo o ano. As pessoas tinham e ainda tem para seu consumo a batata, feijão, milho, couve, tomates, cebolas etc.…Mas também outros frutos como as castanhas.

No dia de todos os Santos há o magusto. Cada pessoa da aldeia dá um saquinho de castanhas e no largo comemora-se o magusto. Primeiro uma camada de caruma, depois uma de castanhas, depois outra de caruma, deitava-se o lume e ia-se mexendo e acrescentando mais caruma até estarem assadas, no final o assador com uns ramos de carqueja batia nas castanhas e dizia: amacia, amacia castanha da Ásia, quando eu era casado também a sim fazia.

Todos comem castanhas e bebem a jeropiga ou água-pé e aproveitam para na brincadeira enfarruscar a cara a quem está ao seu lado.

Estes convívios são importantes, pois mantêm o povo unido e não se deixa perder a riqueza das nossas tradições.

Quem tiver fotos dos magustos da nossa terra e queira partilhar com os outros e favor mandar para o meu e-mail eugeniasantacruz1@gmail.com ou eugenia-santacruz@hotmail.com e eu as publicarei neste blogue.

domingo, 18 de outubro de 2009

"GOIS ANTIGAMENTE"



ANTIGO HOSPITAL DE GOIS ROSA MARIA
Foto de Acácio Moreira

PONTE MANUELINA
Foto de Acácio Moreira

GÓIS - 1967
Foto de Acácio Moreira

CASA SOLARENGO - GOIS
Foto de Acácio Moreira

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"O CASTANHEIRO"

O castanheiro é uma árvore. Há castanheiros bravos e mansos.Com a madeira dos castanheiros bravos fazem-se cestas que servem para transportar vários produtos. O castanheiro manso dá-nos a castanha e a madeira.Quando os castanheiros estão doentes, os homens cortam-nos e aproveitam a lenha para fazer o lume.
Um castanheiro adulto tem entre 25 a 35 metros de altura. As folhas são pecioladas, compridas com cerca de 20 centímetros de altura, são rígidas e brilhantes e caem durante o Outono porque o castanheiro é uma árvore de folhas caducas. Cada ouriço tem entre 1e 3 castanhas.
Na aldeia do Corterredor há muitos castanheiros e castanhas, deixo aqui um desafio, à Comissão de Melhoramentos desta terra.
Porque não marcar um magusto nesta linda aldeia no Largo da Comissão Melhoramentos recentemente inaugurado! Para que todos juntos possamos passar umas horas divertidas e desfrutar deste lindo espaço.
Podem contar com a minha ajuda e como se pode constatar na recente inauguração com a ajuda de todos.
A castanha foi, durante muitos anos o principal alimento das populações rurais das regiões montanhosas propícias à cultura do castanheiro. O seu consumo atingia proporções elevadas, principalmente durante o Inverno.Era um produto alimentar muito apreciado. Com a castanha também se fabricava o pão. A castanha também se pode misturar com carne, leite e legumes.
Eu já pode provar várias comidas que levam castanha. Mas recordo o sabor da sopa de castanha. que quando era mais jovem e saía de manhã para trabalhar e só regressava à noite, muitas vezes o meu almoço e dos meus irmãos era caldo de castanha cozinha e confesso que durante a tarde não havia fome.
Estas castanhas eram preparadas da seguinte maneira:

Lavava-se as castanhas piladas, deitavam-se numa panela com muita água (e um pouco de sal) deixava-se cozer até estarem bem cozidas. Guardava-se de um dia para o outro para o caldo ficar bem doce. Depois é só comer.
Hoje utilizo este produto para várias receitas.

TRONCO

OS OURIÇOS CHEIOS DE CASTANHAS

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

LARGO COMISSÃO DE MELHORAMENTOS DO CORTERREDOR

Este fim-de-semana realizou-se a inauguração do Largo da Comissão de Melhoramentos do Corterredor.
Um local muito agradável com uma vista maravilhosa para a aldeia com casa de xisto que fica num dos mais belos recantos do nosso Portugal.
O dia começou com os últimos preparativos para que tudo corresse bem.Bem cedo começaram a colocaram as mesas no largo que foi inaugurado, debaixo dos castanheiros carregados de castanhas, onde por volta das 13horas foi servido ao delicioso arroz de feijão (cozinhado pelas senhoras) acompanhado pelo porco assado no espeto, a aletria e arroz doce (que estava simplesmente delicioso) as filhós, a broa e o vinho.
Todas estas iguarias foram servidas na tradicional louça de barro.

Mas, antes do almoço foi feita a inauguração deste espaço por elementos da Comissão de melhoramentos do Corterredor, representantes da Câmara Municipal de Góis, da Junta de Freguesia do Cadafaz, além de outras individualidades.
Foi um dia bem passado e se já era muito agradável visitar esta aldeia a partir de agora ainda mais agradável se tornou, pois o espaço conta com mesas, um bar, uma churrasqueira, casas de banho, enfim existe várias razões para que visitem este local.
Bem hajam a todos os que compareceram.
Deixo aqui algumas fotos para recordação. Click para abrir as fotos. Poderão ver na integra as fotos tiradas num video existente neste blogue.








sábado, 26 de setembro de 2009

INAUGURAÇÃO DO LARGO COMISSÃO DE MELHORAMENTOS DO CORTERREDOR


Foi com alegria que eu e a minha família tivemos conhecimento do almoço de inauguração do Largo Comissão de Melhoramentos que se vai realizar no dia 4 de Outubro de 2009 (Domingo) na aldeia do Corterredor.
É com agrado que continuamos a ver que as nossas aldeias vão melhorando de ano para ano.
O local já existia e já era muito agradável passar ali um bocadinho junto à ribeira a ouvir a água a correr e à sombra dos castanheiros, mas a partir de Domingo, dia 4-10-2009 as condições passaram a ser bem melhores.
Quem visitar esta aldeia encontra um local com mesas, churrasqueira, casas de banho etc. para poder fazer um piquenique com a família e passar um dia agradável.
A ementa é Porco no espeto, arroz de feijão, bom vinho a sobremesa é surpresa.
Venha visitar a aldeia do Corterredor e será bem recebido.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O Rasto dos Barrões" no Corterredor

Aquele vale do Ceira onde as encostas são mais íngremes e o solo mais pedregoso, as margens mais alcantiladas e apertadas, a paisagem reverdejante e a quietude se estende para montante, é o percurso mais genuíno dum rio que galga da montanha para ali ir perdendo o declive, na mira de encontrar um leito mais suave até à foz. O trajecto mais montanhoso mereceu-nos uma observação sobre usos e costumes daquelas gentes, com o propósito de deixar um registo bem vincado na memória. Não se trata duma monografia mas duma verdade ficcionada.
Este registo não pretende ofuscar o enorme e afincado trabalho dum regionalismo feito de lutas e paixões que, ao longo dos tempos, tem clamado pela maior visibilidade das suas aldeias, cujos habitantes vão dando a rica presença humana à serra que, à primeira vista, parece nua intransponível e desabitada. É uma aguarela fresca que estas margens nos deixaram nestes acessos difíceis, onde o verde e as rochas vão coabitando sem conflitos, tal como as gentes beirãs, de grande apego à sua terra, vão estabelecendo uma dimensão humana por aqueles vales além. Não fora a nossa qualidade de serranos e o espanto nos teria assaltado com maior intensidade.Este vale verdejante onde existe a profunda e verdadeira ruralidade típica, protegida de toda a poluição, aberto ao nosso conhecimento em tempos de "vacas magras", onde a tarefa do carvão era uma marca serrana, cuja figuração, hoje só poderia existir no nosso imaginário como se duma visão da tarde de calor se tratasse. Pois bem, este vale (melhor ou pior caracterizado) foi palco das personagens de "O Rasto dos Barrões" que retratam bem a têmpera dos homens que foram capazes de lutar contra adversidades que a montanha lhes impunha, os meios lhes restringem o folgo, mas o querer e a vontade indómita lhes aguçava o engenho e a arte. Tempos difíceis!Aqui, neste palco oferecido pela natureza, vai ocorrer uma cerimónia em homenagem aos carvoeiros, executantes duma tarefa árdua tão difícil quanto perseguida, aos santuários erguidos pela montanha em que o homem é apenas e só contemplador, excepção feita à capela da Sr.ª do Desterro. Destes marcos históricos, "O Rasto dos Barrões" vai deixar um testemunho público, na aldeia do Corterredor onde a Marquinhas tinha a taberna, o Raimundo se desunhava para conquistar esta beldade beirã. Não esquecendo a ti'Zulmira sardinheira que atravessava a serra com a canastra à cabeça para ganhar a vida sem vergonhas do mundo. Vida difícil!

Ficam assim convidadas as gentes das Mestras, Corterredor, Cabreira e toda a freguesia do Cadafaz, para uma cerimónia que dentro em breve terá lugar na aldeia do Corterredor, dando a conhecer o livro "O Rasto dos Barrões" que fala da vossa terra.
Adriano Pacheco
in Jornal de Arganil, de 17/09/2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

AS NOSSAS GENTES

Como é bom recordar o passado…

Assim, deixo aqui algumas fotos que me foram dadas pelo Arménio e pela D. Belmira.
Pena não conseguir publicar as que foram dadas pelo Sr. Manuel, (da Carvalheira), pois penso que foram mal digitalizadas e o blog não as aceita. Prometo que quando conseguir as publicarei.
Deixo aqui um apelo a quem quiser partilhar as suas fotos e dos seus antepassados que pertenceram a esta terra ou de ocasiões como por exemplo festas e acontecimentos importantes, poderá faze-lo para o mail eugenia-santacruz@hotmail.com. ou eugeniasantacruz1@gmail.com
Eu terei muito gosto em as publicar neste blog que só tem um objectivo: dar a conhecer a nossa terra, o nosso povo e as nossas tradições.

Clik em cima das fotos para abrir
Fotos cedidas pela D. Belmira

Foto cedida pelo Arménio

SARDINHADA NO CORTERREDOR

Foi com muita alegria que recebi o convite para estar presente na sardinhada organizada pelo Arménio e o meu cunhado Orlando que se encontrava de ferias nesta bela aldeia.

O dia começou com as compras da sardinha. Chegamos ao Corterredor já estavam as batatas cozidas as saladas feitas e a mesa posta. Como se tratava de um piquenique a mesa estava na rua debaixo das oliveiras junto a porta da Deolinda.
Alem da bela sardinha, não posso deixar de dizer que a prima Zulmira fez uma bola de carne no forno a lenha que estava uma delícia, assim como o pão-de-ló.
O Sr. Manuel da Carvalheira e a sua esposa deram-me uma fotografia (que tem 70 anos), o Arménio uma que tem +/-30 anos, mais tarde irei partilhar com todos os que visitam este blog as mesmas.
Estes momentos enriquecem-nos interiormente. É muito bom recordar o nosso passado, pois sem ele não haveria o presente.
Foi um dia bem passado na companhia de amigos e familiares, espero poder repetir este convívio para o próximo ano.
Bem haja a todos.
As fotos deste dia para mais tarde recordar. Clik para abrir


A sardinha estava bem assada, parabéns aos assadores.




Que belo convivio.



Foi num forno como este que foi cozida a broa e a bola de carne.