
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
O TEMPO DA QUARESMA

domingo, 14 de fevereiro de 2010
ENTRUDO (CARNAVAL) E AS SUAS TRADIÇÕES
O texto abaixo publicado vai estar a concurso na blogagem de Fevereiro em http://aldeiadaminhavida.blogspot.com/. Visite e vote no seu texto preferido.
As minhas filhotas quando eram mais pequenas
Na minha aldeia o Entrudo ou Carnaval como hoje é chamado vivia-se de forma simples. Procurava-se roupa e objectos velhos, algo que escondesse o rosto e de seguida brincava-se…
No dia de carnaval, durante a manhã as pessoas iam trabalhar para o campo. Quando regressavam para almoço era tradição comer o pé, a orelha e o bucho do porco. A seguir ao almoço todos se juntavam e corriam o Entrudo, mascarados de várias maneiras e encarvoados com ferrugem dos fornos de coser o pão ou da lareira.
Reuníamo-nos todos uns dias antes para combinar-mos de que maneira nos íamos mascarar. Tudo nos servia para fantasiar. Então, decidida qual a fantasia de cada um, começava o "assalto" á arca da roupa dos familiares, em busca dos adereços adequados, e cada qual se revestia da personagem escolhida. Uma era a noiva, outra a velhinha, os meninos vestiam-se de pedintes, velhos, coxos, marrecos, barrigudos, enfim … cada um se fantasiava nas suas personagens favoritas e conforme a roupa e a ocasião assim o inspirassem.
Também fazíamos espantalhos em tecido e palha para colocar na porta das pessoas na noite de carnaval. De manhã ao abrir a porta, o espantalho caía e as pessoas assustavam-se e gritavam. Outra das brincadeiras era prender as portas das casas dos vizinhos umas às outras com cordas. De manhã cedo lá estávamos nós a espreitar a reacção de cada um. Gerava-se logo ali um alvoroço tremendo:
- Ó tia Maria, Ó comadre, valha-me Deus, venha-me abrir a porta, ai aqueles malandros prenderam-ma. - Não posso! A minha está presa também. E lá ia um de nós abrir a porta, sem que ninguém nos visse. Na rua mais abaixo ouvia-se o grito da comadre Aiiiiiiiiiii -Tinha sido o espantalho que caiu em cima da tia Antónia e assustou-se.
Em cortejo pelas ruas da aldeia e das aldeias próximas, lá ia-mos nós visitando casa a casa onde tudo era permitido: Cantar quadras espirituosas sobre os habitantes dessas aldeias, atormentar as velhas e seduzir as novas!
Viva o António e a Maria
Pois, a ninguém fazem mal
A bebedeira é só uma
De Carnaval a Carnaval
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Ó Manuel tu és jeitoso
Cortejas uma bota feia
A tua mãe é marreca
O teu pai namora toda a aldeia
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Ó que rapariga tão bela
Tapa o rosto com um véu,
A mãe é a maior rameira
Os chifres do pai chegam ao céu.
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O que cachopa tão linda
Casada com um homem tão feio
Mais vale ficar a zeros
Do que tê-lo como travesseiro
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A identificação de cada um, era um dos segredos mais bem guardados, e os comentários dos vizinhos provocavam as mais engraçadas gargalhadas, ao nos confundirem uns com os outros. Então, como recompensa pela diversão proporcionada, todos nos ofereciam algum presente, geralmente coisas para comer, ou dinheiro, podiam ser ovos, chouriço, frutas, ou outros.
E o desfile findava no largo da aldeia, onde se fazia um lanche geral, com os presentes ganhos, no qual todos ríamos e contávamos vezes sem conta, as peripécias da tarde. No largo era colocado um pau (ou pinheiro) envolvido com muita palha, na ponta tinha um boneco de uma velha. Este era incendiado há meia-noite e fazia-se o enterro da velha. E assim chegava a hora da má-língua, todos tinham a liberdade de dizer o que não diziam ao longo do ano, fosse mal do vizinho ou do governo.
Oiça lá minha senhora
Se não anda com homem casado
Porque vai fora d`horas
Para o lado do adro…
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Lá tiveste que casar
Levaste a tua avante
Era melhor mãe solteira
Que um filho de cada amante…
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Os políticos de Portugal
Só sabem prometer é gritar
Assim que chegam ao poleiro
Para o povo se estão a borrifar.
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E era assim o Entrudo (Carnaval) dos meus tempos de juventude. Hoje é vivido de maneira bem diferente mas alegre também..
AS NOSSAS GENTES - II
Obrigada Orlando Lourenço pelas fotos. Quem quiser pode partilhar as suas fotos, enviando-as para o meu e-mail eugenia-santacruz@hotmail.com , ou eugeniasantacruz1@gmail.com fotos de outros tempos para que atraves deste blog. possamos recordar as nossas gentes.
Estas fotos foram tiradas no caminho para o Cadafaz, quando estas belas raparigas iam à missa. Da esquerda para a direita: A Deolinda Lourenço, Lena e a Dulce.
Esta foto foi tirada na Cruz do Calvário que está à entrada da aldeia do Cadafaz.

Foto do Rali que passava na lomba das Relvas pelos anos 80/83
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
ROTA DA FARINHA E DA BROA
Assim, publico aqui a visita realizada já algum tempo a nossa bela aldeia para que os visitantes deste blog possam recordar.
Visita guiada a Penacova, com visita ao Museu e Moinho Vitorino Nemésio da parte da manhã. Almoço regional junto ao rio Mondego. Da parte da tarde os participantes terão oportunidade de aprender ou reviver o fabrico tradicional da broa na região centro na povoação do Lorvão, onde existe um forno comunitário com cerca de 600 anos de história, feito pelas Freiras do Mosteiro do Lorvão.
Enquanto as broas cozem no forno, visita-se moinhos em funcionamento na Serra de Gavinhos (moinhos de vento) ou na ribeira do Lorvão (moinhos de água). No final cada participante leva uma broa para casa e realiza-se um lanche à porta do forno. Oportunidade ainda de conhecer o fabrico artesanal de palitos e o Mosteiro do Lorvão.

Enquanto as broas cozem no forno, visita-se moinhos em funcionamento na Serra de Gavinhos (moinhos de vento) ou na ribeira do Lorvão (moinhos de água). No final cada participante leva uma broa para casa e realiza-se um lanche à porta do forno. Oportunidade ainda de conhecer o fabrico artesanal de palitos e o Mosteiro do Lorvão.E ouvir dizer que a broa cozida pela D. Emília estava uma delicia, não admira pois eu já tive o privilégio de a provar e é mesmo muito boa.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
FALECEU O ANTIGO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE GÓIS

José Girão Vitorino, foi Presidente da Câmara Municipal de Góis no período 2001-2009. Nasceu a 1 de Novembro de 1947, em Formoselha, Montemor-O-Novo, e era Filho de Joaquim Carlos Vitorino e de Cristina Pereira Girão.
Casado com Maria Elisa Guerra Santos, natural de Vila Nova do Foz Côa, exerceu a sua actividade profissional na Companhia Eléctrica da Beiras / EDP, em Lousã, Ourém e Góis.
Foi também presidente da Direcção da Casa do Povo de Góis, tendo participado em elencos directivos da Associação Educativa e Recreativa de Góis, Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Góis e Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Góis. Para além disso foi eleito vereador em vários mandatos da Câmara Municipal de Góis, alguns deles em permanência.
O seu corpo repousa em câmara ardente no quartel dos Bombeiros Voluntários de Góis, o seu funeral realiza-se amanhã, sexta-feira [29 de Janeiro], pelas 15h, para o cemitério de Góis.
Corterredor aproveita para agradecer publicamente tudo o que fez por esta terra e apresentar as suas sentidas condolências à família enlutada.
in
http://www.rcarganil.com
tags: camara gois, gois
publicado por penedo às 19:03
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
O BODO NO CADAFAZ
O Bodo, é uma festa muito importante para a freguesia, porque é feito com a ajuda de todas as povoações da freguesia. Todas as aldeias têm um mordomo, excepto no Cadafaz e Cabreira em que são dois. São nomeados no dia do Bodo para o ano seguinte, assim como o Juiz, que tem a responsabilidade de ver se tudo está a correr bem, de comprar o pão, o vinho e no dia do Bodo de orientar as coisas.
Os mordomos têm o dever de angariar as castanhas, o vinho ou dinheiro, antigamente era também o milho, em sua povoação. Depois são entregues aos mordomos do Cadafaz para fazerem secar as castanhas.
A preparação do Bodo começa com algum tempo de antecedência. Depois de recolher as castanhas, elas são colocadas num caniço com rede para secarem, por baixo é feito uma fogueira, de manhã e à noite, durante pelo menos 15 dias seguidos, de vez em quando mexe-se as castanhas para não ficarem queimadas e pretas. Quando as castanhas estão secas são colocadas num cesto e são pisadas com as botas. Depois da casca retirada são escolhidas.
Na véspera do dia do bodo são cozidas. Antigamente as castanhas eram cozidas em casas das pessoas que se ofereciam ou então os mordomos pediam se as podiam cozer. Eram distribuídas em quartas.
Na véspera, à noite, também chega o pão. Antigamente quando ele chegava atiravam foguetes.
O dia do Bodo era um dia de festa e de convívio para toda a freguesia, que se juntava no Cadafaz para receberem o Bodo. Juntavam-se também outras pessoas que não pertenciam á freguesia mas que vinham de outras localidades vizinhas.
Há mais de 50 anos atrás, as moças novas iam a pé ao Barreiro (Vila Nova do Ceira) comprar laranjas, para venderem nesse dia a 20 tostões cada, também era vendido café, em chávenas de chá a 1 escudo cada, á noite fazia-se um baile.
Desde 2002, o Cadafaz tem uma casa do bodo, onde é efectuado todo o ritual. Antigamente era feito em casa dos mordomos
Hoje em dia, em virtude das localidades estarem praticamente desertas durante a semana, a festa do Bodo passou a ser feita no primeiro domingo a seguir ao dia 20, o que traz mais pessoas nesse dia.
Antes da celebração da missa, o Sr. Padre vai benzer o pão, as castanhas e o vinho. A seguir à missa, é feita a tradicional procissão com o Santo Mártir São Sebastião. Só depois é que é feito a entrega do Bodo, começando a ser entregue uma coisa de cada vez, pelos mordomos e por ajudantes, às pessoas que estão a assistir. As que não podem assistir, é lhes entregue mais tarde, em casa delas.
No ano em que foi inaugurado a Casa do Bodo, o Juiz desse ano, que era o Casimiro Vicente, ofereceu, febras e sardinhas às pessoas presentes. Desde essa altura tem sido habitual o Juiz também tratar da merenda, o que faz haver mais um motivo de convívio para as pessoas da freguesia e não só.
Para este ano de 2010, o Bodo é entregue dia 24, o Juiz é o Senhor Armindo Neves. Os Mordomos para o Cadafaz são os Senhores Albertino Vicente e Luciano Domingos.
Assim, no Domingo, decorreu a entrega do Bodo da parte de tarde, por indisponibilidade do Sr. Padre Carlos, que não podia celebrar a missa da parte da manhã. O tempo ajudou, não choveu e também não estava muito frio o que fez trazer alguns visitantes.
Perto das 15 horas, antes da celebração da missa, foi a bênção do Bodo, no final da missa decorreu a procissão.
Eu, ainda tenho o meu pão do ano anterior, pois a minha sogra guarda um pão para cada filho, noras e netos e acreditem, após um ano o pão não tem bolor.
Deixo aqui algumas fotos para melhor explicar esta tradição
O mordomo e o ajudante do Corterredor
Mordomo do Candosa e do Corterredor Os mordomos e juíz de 2010
Andor da imagem do Martir São Sebastião
A minha cunhada (autora do Blog do Cadafaz) e o meu irmão e o Américo antunes
Os quase 1900 pães
Explicação como se pisam as castanhas


