quarta-feira, 10 de março de 2010

A MATANÇA DO PORCO

É uma tradição enraizada na nossa população, mas tal como muitas outras tradições tem vindo a decrescer de dia para dia.
A matança do porco é uma azáfama que envolve sempre amigos e familiares para ajudar. Sendo uma tradição, não deixa de ser um acto violento, e é por isso mesmo, com respeito aos animais e aos visitantes deste blog que não publico algumas fotos que poderão ferir algumas sensibilidades.
Mas a vida é assim mesmo e o nascimento e a morte são actos violentos.
Adiante...
O produto final, ou seja a carne obtida do animal é abissalmente diferente em textura e sabor daquela carne de produção industrial que compramos nos talhos. Estes animais criados com produtos naturais fazem toda a diferença

Chamuscar o porco, que consiste na retirada da pilosidade cerdosa e da primeira camada da derme, das unhas, do focinho e das orelhas.



O inicio da desmancha que obedece a cortes precisos para aproveitamento de todo o animal.

Chambaril colocado nas patas traseiras para pendurar o animal a escorrer, da lavagem e do resto do sangue e para a preparação da desmancha.


A "suã", a parte que envolve a barriga e o peito do porco, já sem pele que será a carne utilizada para uns torresmos de excelência.
A análise das víceras que atestam a boa saúde do animal.

A carne de porco está quente e só no dia seguinte se fazem os torresmos, mas para o dia uma chanfana cozinhada em forno de lenha é a ementa para os familiares e amigos.

Olhem só para este aspecto...

Entretanto, no próprio dia é preciso fazer as chouriças de sangue...este aspecto é assim, até levarem com água quente para não se estragarem adquirindo uma cor escura. Depois são postas no fumeiro a secar.

No dia seguinte, corta-se a carne para preparar as chouriças de carne...e almoçam-se os torresmos e o arroz de fressura....


Os torresmos....

Devo confessar que foi uma bela dieta...
Texto e imagens retiradas do blog "Penedos de Gois"

segunda-feira, 8 de março de 2010

ALDEIA ONDE CRESCEU O MEU PAI...

Arlindo Santa Cruz (meu pai)

Escrever algo sobre a aldeia onde o meu pai nasceu não é difícil, pois é das aldeias mais bonitas de Portugal, é a minha aldeia. Mas antes quero falar do maravilhoso ser que era o meu Pai de nome Arlindo Santa Cruz. Nasceu a 17 de Março de 1932, um dos mais novos de sete irmãos. Homem de estatura baixa, lindos olhos azuis, amigo de todos. Para o meu pai tudo estava bem, de um coração do tamanho do mundo, estava sempre pronto a ajudar o próximo, um grande pai.
O meu pai morreu muito novo, mas deixou-me muitas mensagens (valores) que ainda hoje regem a minha vida, uma delas tem a ver com o dia em que saiu de casa para honrar um compromisso e não mais voltou. No dia anterior tinha se comprometido após muita existência por parte de o antigo patrão em o ir desenrascar e acabar umas janelas que só ele sabia fazer, pois era um excelente marceneiro. No dia seguinte, acordou muito doente e a minha mãe disse-lhe:
-Arlindo não vás trabalhar, estás tão doente! Nós cá nos arranjamos sem esse dinheiro.
Ele respondeu:
-Mulher, eu comprometi-me e já o meu pai dizia que vale mais a palavra que o dinheiro e eu quero honrar o meu compromisso.
Foi ao nosso quarto despediu-se dos filhos e prometeu trazer (chaços) rebuçados. Morreu nesse dia, atropelado por uma mota ao regressar do trabalho.

O meu pai, rumou a Lisboa nos anos 40 para trabalhar numa carpintaria no alto de S. João: “CARPINTARIA MELÃO”. Entretanto, como gostava da minha mãe regressou a aldeia para casar. Mais tarde a minha mãe e a minha irmã mais velha vieram ter com meu pai a Lisboa, mas um ano depois regressaram novamente à aldeia. Foi trabalhar para a oficina que se mudou de Lisboa para Góis e ali viveu até dia 30 de Setembro de 1976 dia em que faleceu. Tiveram 6 filhos, quatro rapazes e duas raparigas.

Falar da aldeia de Cortecega, é dizer que é uma aldeia pequenina, situada no interior de Portugal a 4 km da linda vila de Gois, seu concelho, a 40 km da Cidade dos Doutores Coimbra, seu Distrito. Tem o privilégio de estar rodeada de vales e montes verdejantes, casas de Xisto, pintadas de branco, amarelo e azul, ruas e caminhos limpos. O Rio Ceira passa a seus pés com suas águas límpidas e cintilantes. Recebe vem quem a visita. Agora com poucos habitantes. Mas, já teve muita gente, chegou a haver um grupo folclórico com cerca de 30 elementos todos desta aldeia, éramos todos família, porque todos os irmãos/ãs do meu pai casaram com irmãos/ãs da minha mãe, outros casaram com pessoas da terra, assim, mais tarde os seus descendentes era quase tudo família.

A vida nos anos trinta nas aldeias era muito difícil. Os jovens raramente iam a escola, tinham de trabalhar no campo ajudando no cultivo das terras e guardar o rebanho. Às vezes, quando tinham fome, ordenhavam uma cabra e bebiam o leite com a broa que levavam na sacola. Como não havia energia eléctrica na aldeia, tudo era feito à luz da candeia a petróleo. A água era transportada em bilhas que eram enchidas no chafariz da aldeia.
A alimentação nas aldeias baseava-se no feijão, grão, batata, hortaliça e pão, trigo e milho que eram produzidos pelos próprios habitantes. A carne de galinha e de porco que criavam durante o ano eram as carnes mais consumidas.
Usavam roupa às vezes com remendos, andavam descalços ou usavam botas fortes, feitas nos sapateiros da aldeia, com sebo para não molhar os pés quando ia para o mato ou para o campo. Tinham que ir apanhar mato para pôr nos currais dos animais e depois tiravam o estrume para fertilizar as terras. Era assim a vida nas aldeias onde viveu o meu pai.

Os seus habitantes foram sempre muito unidos. São estes que ainda hoje tudo fazem para que a sua terra tenha as condições necessárias para receber bem quem a visita. Foi construída uma hospedaria “HOSPEDARIA TREPADINHA” com a força vontade e muito trabalho, (pode consultar as fotos no meu Blog). Ao longo do ano são realizados vários encontros, sempre com almoços e festa. As mais relevantes são Festa de N. S. das Neves no primeiro fim-de-semana de Agosto, o Almoço da Amizade em Março/Abril, os Motardes em Agosto, encontro de concertinas e almoço das vindimas em Outubro entre outros.

E, assim fiz um pequeno texto retratando um pouco a aldeia onde nasceu e cresceu o meu pai.
Eugénia Santa Cruz

http://cortecega-eugeniasantacruz.blogspot.com/

ONDE CRESCEU O MEU PAI...

Texto publicado no blog http://www.aldeiadaminhavida.blogspot.com/.
a partir de 14/3/2010. Visite, desfrute da leitura e vote no seu texto preferido.


Publico neste blog o texto a concurso no blog acima mencionadoode com o titulo "Aldeia onde cresceu o meu pai", aqui muito mais desenvolvido pela razão de na blogagem colectiva o texto estar limitado a 25 linhas e falar do homem que foi o meu pai é impossível em 25 linhas.
É perfeitamente compreensível estar limitada, pois muita gente vai querer falar do seu PAI.

sexta-feira, 5 de março de 2010

"DIA INTERNACIONAL DA MULHER"

É com muito prazer que publico aqui um lindo texto que me foi enviado pelo Sr. Adriano Pacheco, (grande poeta e escritor). Pessoalmente gosto da sua poesia e não deixa de ser um conterrâneo do nosso lindo concelho.

O DIA INTERNACIONAL DA MULHER- UM LONGO CAMINHO
Como vai sendo hábito, comemora-se o dia internacional da mulher a oito do corrente mês, dia em que se homenageia a mulher de todo o mundo, de todas as condições sociais, seja ela mãe, filha ou esposa. Nesta efeméride cabe toda a mulher, seja qual for a sua dimensão: mãe de idade madura onde o sentimento da maternidade é a sua grande força, ou futura mãe, jovem que carrega no seu ventre um filho que sente crescer com toda a protecção maternal. Assim como cabe e se destaca o símbolo da fecundidade que, como todos sabemos, nos humanos, pertence à mulher. Grande responsabilidade a sua!

Derivando para outro plano do tema e fazendo um pouco de história, verificamos com agrado, a sua enorme evolução dentro da sociedade nos últimos tempos. Ainda há bem poucas décadas a mulher, no nosso País, não podia ocupar certos cargos públicos, nem sequer podia exercer o direito de cidadania mais básico: votar. Hoje isso está largamente ultrapassado o que denota uma grande evolução na sociedade. Evolução esta que transborda, em muito, o âmbito restrito do ser humano, ela define e exprime, de forma clara, o estádio da sociedade que vamos construindo. Já ultrapassámos a fase do nevoeiro cinzento.

A sociedade amorfa e tacanha que bem conhecermos, nunca poderia evoluir enquanto não fosse reconhecido à mulher, direitos que só ao homem eram conferidos. Ora como todos sabemos, a humanidade é constituída pelo homem e pela mulher. Sendo assim, o homem nunca poderia ser inteiramente livre, mantendo a mulher arredada desses mesmos direitos, deixando-a subjugada no seu cantinho. Só ambos livres, um ao lado um do outro, poderão construir uma sociedade livre e mais justa. Tudo isto é do conhecimento geral, todavia ainda nos vamos confrontando com situações confrangedoras.

A Democracia só atingirá a sua plenitude quando reconhecer a todos os cidadãos iguais direitos. Isto, na verdade, está consagrado na lei, porém, ainda falta percorrer um longo caminho para que os seus ditames passem à prática efectiva. Basta olhar para a situação do desemprego que estamos a viver o qual não atinge, de igual modo, os dois sexos, nem muito menos todos os estratos sociais com iguais danos. Isto mostra bem a sociedade desequilibrada que temos.

Pese embora toda esta evolução, torna-se inevitável questionar a democracia que temos, sempre que abordamos este tema. E que democracia temos nós? Temos apenas e só uma democracia parlamentar representativa, com toda a ineficácia que bem sabemos. Para se atingir uma democracia em toda a extensão da palavra, ainda faltam muitos passos em frente. Consola-nos a ideia de que vamos dando um passo de cada vez, apesar de nem sempre ser no melhor sentido.

Voltando ao tema do dia internacional da mulher, será bom que todos tenhamos consciência de que é muito importante e positivo, para a sociedade, a evolução da mulher e isso não se mede apenas pelo trabalho que vem desempenhando. Mede-se também pelo contributo da sua inteligência emocional que pode dar, o que é muito importante.

Texto de Adriano Pacheco

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O TEMPO DA QUARESMA


Quaresma: tempo de auto-reflexão

Amanhã iniciamos mais um tempo litúrgico forte, a Quaresma, tempo de preparação interior para a celebração das festas pascais. Esta será apenas mais uma Quaresma se não nos sentirmos motivados a "queimar" tudo o que é "lixo" na nossa vida. "Queimar" o pecado, as nossas teimosias, a nossa indiferença e comodismo. Se queimarmos os nossos defeitos, das cinzas renascerá uma vida nova. Uma Santa Quaresma

"A Quaresma é um período de 40 dias que tem início na quarta-feira de cinzas e se estende até a Páscoa – maior celebração religiosa da Igreja Católica, em que é relembrada a ressurreição de Jesus Cristo e a vitória sobre a morte.

Segundo a Bíblia, “Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias antes de enfrentar as tentações do demónio no deserto”. Na quarta-feira – um dia depois do Carnaval –, os sacerdotes colocam um pouquinho de cinzas sobre a cabeça dos fiéis durante a missa. O significado desse gesto é lembrar a todos que um dia a vida termina, e que deve ser vivida intensamente, mas da melhor maneira possível. Por causa do pecado, Deus disse a Adão: “És pó, e ao pó tu hás de tornar”.

As cinzas nos fazem recordar que nossa alma estará diante de Deus para prestar contas de todos os actos logo após a nossa morte física. A começar dos nossos sentimentos, hábitos e pensamentos. A Quaresma é, portanto, um tempo de meditação, oração, jejum e caridade. Durante esse período, a Igreja convida-nos a meditar profundamente sobre a Bíblia e viver a mortificação (cortar um doce, deixar a bebida, cortar a TV ou alguma diversão, por exemplo) com a intenção de fortalecer o espírito e vencer as fraquezas da carne.

O que deve ser valorizado nessas atitudes não é o sacrifício em si, mas o fruto da conversão e o fortalecimento espiritual que ele traz. O tempo é de rever a vida e abandonar pecados, como orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ganância, consumismo, gula, ira, inveja, preguiça e mentira. “Vigiai e orai, porque o espírito é forte, mas a carne é fraca”. "

domingo, 14 de fevereiro de 2010

FELIZ CARNAVAL


ENTRUDO (CARNAVAL) E AS SUAS TRADIÇÕES


O texto abaixo publicado vai estar a concurso na blogagem de Fevereiro em http://aldeiadaminhavida.blogspot.com/. Visite e vote no seu texto preferido.

As minhas filhotas quando eram mais pequenas

Na minha aldeia o Entrudo ou Carnaval como hoje é chamado vivia-se de forma simples. Procurava-se roupa e objectos velhos, algo que escondesse o rosto e de seguida brincava-se…

No dia de carnaval, durante a manhã as pessoas iam trabalhar para o campo. Quando regressavam para almoço era tradição comer o pé, a orelha e o bucho do porco. A seguir ao almoço todos se juntavam e corriam o Entrudo, mascarados de várias maneiras e encarvoados com ferrugem dos fornos de coser o pão ou da lareira.

Reuníamo-nos todos uns dias antes para combinar-mos de que maneira nos íamos mascarar. Tudo nos servia para fantasiar. Então, decidida qual a fantasia de cada um, começava o "assalto" á arca da roupa dos familiares, em busca dos adereços adequados, e cada qual se revestia da personagem escolhida. Uma era a noiva, outra a velhinha, os meninos vestiam-se de pedintes, velhos, coxos, marrecos, barrigudos, enfim … cada um se fantasiava nas suas personagens favoritas e conforme a roupa e a ocasião assim o inspirassem.
Também fazíamos espantalhos em tecido e palha para colocar na porta das pessoas na noite de carnaval. De manhã ao abrir a porta, o espantalho caía e as pessoas assustavam-se e gritavam. Outra das brincadeiras era prender as portas das casas dos vizinhos umas às outras com cordas. De manhã cedo lá estávamos nós a espreitar a reacção de cada um. Gerava-se logo ali um alvoroço tremendo:

- Ó tia Maria, Ó comadre, valha-me Deus, venha-me abrir a porta, ai aqueles malandros prenderam-ma. - Não posso! A minha está presa também. E lá ia um de nós abrir a porta, sem que ninguém nos visse. Na rua mais abaixo ouvia-se o grito da comadre Aiiiiiiiiiii -Tinha sido o espantalho que caiu em cima da tia Antónia e assustou-se.

Em cortejo pelas ruas da aldeia e das aldeias próximas, lá ia-mos nós visitando casa a casa onde tudo era permitido: Cantar quadras espirituosas sobre os habitantes dessas aldeias, atormentar as velhas e seduzir as novas!

Viva o António e a Maria
Pois, a ninguém fazem mal
A bebedeira é só uma
De Carnaval a Carnaval
*******
Ó Manuel tu és jeitoso
Cortejas uma bota feia
A tua mãe é marreca
O teu pai namora toda a aldeia
*********
Ó que rapariga tão bela
Tapa o rosto com um véu,
A mãe é a maior rameira
Os chifres do pai chegam ao céu.
*********
O que cachopa tão linda
Casada com um homem tão feio
Mais vale ficar a zeros
Do que tê-lo como travesseiro
**********
A identificação de cada um, era um dos segredos mais bem guardados, e os comentários dos vizinhos provocavam as mais engraçadas gargalhadas, ao nos confundirem uns com os outros. Então, como recompensa pela diversão proporcionada, todos nos ofereciam algum presente, geralmente coisas para comer, ou dinheiro, podiam ser ovos, chouriço, frutas, ou outros.
E o desfile findava no largo da aldeia, onde se fazia um lanche geral, com os presentes ganhos, no qual todos ríamos e contávamos vezes sem conta, as peripécias da tarde. No largo era colocado um pau (ou pinheiro) envolvido com muita palha, na ponta tinha um boneco de uma velha. Este era incendiado há meia-noite e fazia-se o enterro da velha. E assim chegava a hora da má-língua, todos tinham a liberdade de dizer o que não diziam ao longo do ano, fosse mal do vizinho ou do governo.

Oiça lá minha senhora
Se não anda com homem casado
Porque vai fora d`horas
Para o lado do adro…

***********
Lá tiveste que casar
Levaste a tua avante
Era melhor mãe solteira
Que um filho de cada amante…

************
Os políticos de Portugal
Só sabem prometer é gritar
Assim que chegam ao poleiro
Para o povo se estão a borrifar.

************
E era assim o Entrudo (Carnaval) dos meus tempos de juventude. Hoje é vivido de maneira bem diferente mas alegre também..